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Gustavo - sobre relacionamentos...

 

Opa, que bom receber a mensagem do nosso saudoso irmão Paulinho. Aproveito para também agradecer as inúmeras visitas. É bom receber cada um e cada uma de vocês em nossa casa virtual.

Olha, aproveitando os recentes posts sobre relacionamentos quero dar meus palpites. Quero escrever algo sobre os não relacionamentos (muito freqüentes e frustrantes) e quero compartilhar minha experiência recente como amante. Fui (acho que ainda sou) amante de uma linda menininha casada, que vive em corpo os dilemas da hipocrisia dos relacionamentos e a incapacidade de se livrar das amarras que a impedem de amar e ser amada. Acho que contar um pouco de uma experiência concreta pode ajudar na reflexão. Porém, devido ao período eleitoral, o tempo está pouco. Por hora deixo uma pequena crônica do Eduardo Galeano (do seu livro Mulheres), que acho extremamente ilustrativa da (baixa) qualidade dos nossos relacionamentos amorosos.

Um beijo carinhoso para todo mundo,

Gustavo

 

História do outro

Eduardo Galeano

 

Você prepara o café da manhã, como todo dia.

Como todo dia, você leva seu filho até a escola.

Como todo dia.

E então, o vê! Na esquina, refletido numa poça, contra a calçada; e quase é atropelada por um caminhão.

Depois, você vai para o trabalho. E o vê novamente, na janela de um botequim medonho, e o vê na multidão que a boca do metrô devora e vomita.

Ao anoitecer, seu marido passa para buscá-la. E no caminho de casa vão os dois, calados, respirando o veneno do ar, quando você torna a vê-lo no turbilhão das ruas: esse corpo, essa cara que sem palavras pergunta e chama.

E desde então você o vê com os olhos abertos, em tudo que olha, e o vê com os olhos fechados, em tudo que pensa; e o toca com seus olhos.

Este homem vem de algum lugar que não é este lugar e de algum tempo que não é este tempo. Você, mãe de, mulher de, é a única que o vê, a única que pode vê-lo. Você já não tem mais fome de ninguém, fome de nada, mas cada vez que ele aparece e se desvanece você sente uma irremediável necessidade de rir e chorar os risos e os prantos que engoliu ao longo de tantos longos anos, risos perigosos, prantos proibidos, segredos escondidos em quem sabe que cantos de seus cantos.

E quando chega a noite, enquanto seu marido dorme, você vira de costas e sonha que desperta.



Escrito por casa candanga às 19h26
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Apresentaçaõ do Paulinho

Ola galera!

Oi, to por aqui também. Cheguei depois de todo mundo, mas é porque sou crente: os últimos serão os primeiros (a chegar atrasados... )! Estou na África neste momento, mas me junto ao blog com muita alegria no coração. Eu curto, e decidi, viver em comunidade desde os meus 15 anos de idade, quando saí da casa dos meus pais (eu morava em Rondônia, nesta época). Conto algumas experiências. Fui morar com um cara a quem amo de paixão até hoje, chamado José Antonio. Morávamos eu, ele e sua companheira (Lílian). Foi minha primeira experiência de compartilhar a vida. Foi muito difícil, mas também muito educativa e alegre. Depois fui para Mato Grosso do Sul onde morei com as irmãs da Divina Providencia: uma grande providencia na minha vida. Fui pra fora do Brasil e voltei para Campo Grande, onde fui morar com Alberto (que hoje está no Canadá) e Silvio (que ainda está por lá). Depois morei sozinho por um tempo. Aí, como ainda sou crente, acho que Deus mandou um anjo para me ajudar: chegou o Edmilson, que muitos conhecem (hoje ele está casado e mora no RS) e com o qual construí, em quatro anos, uma sintonia que não se desconectou ainda, como sinto falta da sua companhia (e dos xingamentos também). Depois chegou o Mario (que está na França). Fui pra Goiás, também para uma comunidade onde descobri mais de mim mesmo e muitos projetos e intuições foram se consolidando, outros foram desaparecendo, muitos foram nascendo com a ajuda daquele grupo, especialmente do Marcelo, amigo e irmão de longa data e com quem partilho a vida profundamente. Esta comunidade (e o Marcelo em especial) é responsável pela minha ressurreição. Lembro de muita gente aqui, mas não posso deixar de mencionar Rezende e Walderes (e o grupo da CAJU) que me ajudaram a voltar pro caminho da vida. Há muito o que contar aqui... farei aos poucos...

Mudei de cidade de novo (sou migrante por vocação mesmo) e vim pra Brasília.

Como o Alexandre já contou, não vou repetir. Só preciso sublinhar meu carinho, amor, conexão e dependência em relação a este projeto conjunto com ele que me ajudou a ser uma pessoa muito melhor. Quem me conheceu antes de 2000 sabe do que estou falando. Quem não me conheceu, pergunte a ele... ele terá prazer em compartilhar.

Neste momento, eu sou alguém muito apaixonado pelo que faço (e olha que faço muitas coisas). Sou apaixonado pela vida e pelos desencontros que acontecem nela. Eles me ajudam a me encontrar e a me tornar mais aberto para encontrar outros e outras. Não sou uma pessoa muito fácil de conviver (meus irmãos e a Carol que o digam). Passamos muitas alegrias juntos, mas tenho consciência que sou responsável por muitas tristezas também entre nós. Mas os/a amo de paixão... nunca desistiram de mim... (e preciso confessar que já quis desistir deles/a e de mim mesmo até).

O que me junta neste grupo é a força da vida... a irreverência e a desobediência, a ousadia de viver perigosamente, de se aventurar e de VIVER os discursos que fazemos, de dar à curiosidade epistemológica a concretude necessária e apropriada. O que me junta aqui é o projeto de sociedade que partilhamos em conjunto e que procuramos experimentar nessa comunidade (Casa Candanga ou Gaiola das Loucas, se preferir). O que me junta a esse grupo é o desconhecido. O que me junta a essa comunidade é o desejo ardente de amar profundamente (mesmo o desamor), de encontrar os desencontros e integrar isso no processo da vida, de fazer o caminho e, se necessário, refaze-lo. Se não der, fazer outro caminho e se ainda assim não der certo, caminhar sem que o caminho exista previamente. Os corpos desses irmãos e dessa irma inflamam minha vida para fora de mim mesmo. Assim sou feliz. Tenho o privilegio (que se transforma em responsabilidade) de viver com essas pessoas, de experimentar a dor da metamorfose ambulante e de aprender dos dois sóis que nos aquecem e dão energia: o Gael e o Joao. Nossa vida é poiesis. Por enquanto vai isso... depois partilho mais... massa a idéia do blog!

Paulinho Ueti


Escrito por casa candanga às 18h09
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Cada ser humano é um universo... Portando único.                                                                               

                                                                          

O professor de biologia Alfred Charles Kinsey, trabalhou em uma das mais profundas pesquisas sobre a sexualidade humana na década de 50, a conclusão dele é simples. Cada ser humano é único, portando cada um deve procurar a melhor forma de amar e viver a sexualidade. Penso que é olhando para a diversidade humana que devemos pensar em relacionamentos e nos perguntar,  porque parte de nossa sociedade exige um padrão? Determina a melhor forma de amar? Porque que o ideal é namorar e o fim de todo o namoro deve ser o casamento? Será que não pode existir outra forma de constituir família que não seja a de papai, mamãe e filhinhos em uma casa com carro na garagem?

Fico intrigado sobre o que as maiorias das pessoas me dizem quando começo a refletir essas coisas, dizem: isso é anormal, essa visão é egoísta, as pessoas querem alguém para completá-las, você ainda não achou a pessoa certa, não é possível amar mais que uma pessoa.. Essas visões para mim são de pessoas que não param para pensar na vida; primeiro - se existe pessoa certa não existe opção,  a vida já está determinada por um ser superior, somos apenas fantoches da história de algum deus sarcástico; segundo - ninguém é um ser pela metade que precisa de um outro(a) para completá-lo, somos seres por inteiro, temos em nos luz e trevas, amor e ódio, plenitude e carência.. Não adianta achar que vai existir alguém que vai nos completar, vai acabar com a carência, isso é ilusão, podemos estar com a pessoa mais amada e sentir carência, solidão.. Lembro-me do Vinicius de Morais falando do amor pelo filho (olha que esse é um tipo de amor pleno) ele afirma que de tanto amor sente dor de solidão, que não contém o vazio... Ai só as lágrimas.

Outra afirmação é que Deus criou o homem para a mulher, por isso cada um é destinado ao outro(a) penso que os personagens bíblicos esqueceram a ordem de Deus ao criar esse mundo e foram viver a vida, Abraão transa com 2 mulheres (isso que nos sabemos) e tem filho com as duas; Jacó tem duas mulheres e as duas o ama e disputa para ver quem tem mais potencia sexual sobre ele; Tamar transa com o sogro para sair de uma vida de opressão; Davi se apaixona pela mulher do amigo, manda-o ir à frente de batalha para morrer e fica com a mulher do amigo; Sulamita arrasta o pastor amado e se acaba em sexo com ele na vinha; Rute resgata a terra para a sogra transando com Booz em uma estratégia pensada por Rute e sua sogra, Jael atrai o capitão do exercito inimigo do povo, transa com ele e depois o mata com uma marretada na cabeça e é considerada a maior das mulheres.. E por ai vai... Adão e Eva graças a deus comeram o bendito fruto e acabou com a possibilidade daquele mundo cafona e alienado criado por Deus, de um relacionamento padronizado e instituíram a possibilidade de viver diferente, de amar de forma variada, de não ser um fantoche dos deuses, de ter livre arbítrio... Só por esses exemplos nos damos conta da variedade possível de viver as relações, e que o amor pode acontecer de várias formas.

Infelizmente a religião transformou as relações em um padrão e deu nome a esse padrão de vontade de Deus, quem não segue esse padrão é excluído, sendo assim mãe solteira e pai solteiro não são família, pessoas que moram juntas não são famílias, pessoas que decidem viver sem se casar não são consideradas famílias, homossexuais não são considerados nem como seres humanos, prostitutas e prostitutos estão mais que excluídos de serem parte da sociedade, casais que vivem relacionamento aberto ou namoram outros casais são aberrações. Chega dessa hipocrisia... Chega de viver a vida mais ou menos... Nosso corpo é um poço de vida.. De energia e essa energia precisa ser compartilhada, vivida intensamente, estamos perdendo tempo com a posse, o medo, insegurança a voz desses sentimentos são nossos pais, igreja e sociedade falando dentro de nos, nos julgando o tempo todo, vamos tocar um foda-se em tudo isso e viver... Essa é a única vida... Podemos ser intensos, profundos, sem perder a ternura e o cuidado com as pessoas, sem desrespeitar o limite de cada um(a).

Por isso defendo aqui como teólogo e biblista um voto não a um modelo de relacionamento, mais um voto para que as pessoas possam buscar a melhor forma de se relacionar e amar, seja essa forma o casamento, o relacionamento aberto,  o casamento gay, a suruba, o Swing,  o eterno namoro, a galinhagem, não importa a forma o que importa é que seja profundo, pensando, decidido e optado e que não seja algo camuflado por causa da imposição ou para ser mais aceito pela sociedade. Vamos pensar.. O que quero? Como quero me relacionar? Que tipo de amor quero viver? Porque eu gosto de homens? Porque gosto de mulheres? Porque quero me casar? Vamos pensar sinceramente e sem medo da crise.. Quando a mim estou achando meu caminho, já pensei e mudei umas 50 vezes já vivi muita coisas buscando essas respostas, talvez viva outras tantas o que importa é não se acomodar.. Acorde.. Desperte... Viva..

Beijos

Alexandre Rangel 



Escrito por casa candanga às 01h40
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Mais Sobre Relacionamentos

Quero escrever um pouco também sobre o relacionamento aberto.
Na verdade me sinto contemplada com a fala do meu amado.
Gostaria apenas de complementar com uma música fantástica de Raul Seixas:

A maça

Se esse amor ficar entre nós dois

Vai ser tão pobre amor, vai se gastar

Se eu te amo e tu me amas
E um amor a dois profana
O amor de todos os mortais
Porque quem gosta de maçã
Irá gostar de todas
Porque todas são iguais


Se eu te amo e tu me amas
E outro vem quando tu chamas
Como poderei te condenar
Infinita tua beleza
Como podes ficar presa
Que nem santa no altar


Quando eu te escolhi para morar junto de mim
Eu quis ser tua alma, ter seu corpo, tudo enfim
Mas compreendi que além de dois existem mais
O amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade
Sofro mas eu vou te libertar
O que é que eu quero se eu te privo
Do que eu mais venero
Que é a beleza de deitar

abraços
Carol

Escrito por casa candanga às 07h46
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Relacionamentos



Não sei quando comecei a pensar que a monogamia era uma norma falida (enquanto norma). Só sei que desde lá, minha vida nunca mais foi a mesma. Trabalhar o desapego com a pessoa amada, parceira sexual, não é algo muito fácil. Talvez seja a revolução mais difícil que farei na minha vida.

Me apaixonei pela Carol a primeira vista. De verdade. Estava três fileiras atrás dela, em uma palestra. Quando meus olhos cruzaram os eixos da sua face, um tremor percorreu todo o meu corpo. Como tinha acabado de sair de uma paixão, imediatamente fiquei preocupado: “a não... lá vou eu me apaixonar de novo”. De lá até hoje já se vão cinco anos e meio...

Ao longo deste tempo, vivemos aventuras realmente emocionantes. Enfrentamos muitas pessoas que eram contra nosso relacionamento, fizemos planos, perdemos a cabeça... enfim, vivemos uma paixão avassaladora. Algo digno de dois seres do elemento fogo. Mas, como toda relação, chegamos a algumas inflexões. A principal delas, por um bom tempo, foi o ciúmes.

Eu já estava pra lá da metade do meu curso de graduação, trabalhava, participava da igreja... enfim, tinha um circulo de amizade efetivamente consolidado. Já conhecia muitas pessoas malucas, que tinham idéias diferentes sobre várias coisas. A Carol estava entrando na UnB, começando a conhecer o fabuloso e diverso mundo multivariado da universidade. Estávamos percebendo mudanças em nossos desejos e emoções.

Para encurtar a história, decidimos experimentar um relacionamento aberto. Em que consiste isso? Não sei se posso assumir um conceito fechado. Só sei que estamos há mais de dois anos vivendo isso.

Sei que não aceito a monogamia como alternativa. Quem dirá como obrigação! A sociedade ocidental impõe a todos e todas que vivamos a tríade burguesa (papai, mamãe, filhinhos), sobre a qual poderíamos passar dias e dias discutindo. Para mim basta saber que este modelo está fadado ao fracasso. Para mim, evidentemente.
Gosto de ter a liberdade de me apaixonar. Sentir o revigorar do meu ser pelo inebriante jogo da sedução. Ser desejado e desejar pessoas que passam na minha vida. Viver intensamente elas, de maneira livre e desapegada, aproveitando o momento.

Gosto mais ainda de ter uma companheira que tenha exatamente os mesmo direitos. Uma bruxa linda, sexy como é a Carol não passa desapercebida em lugar algum. E ela gosta disso. É maravilhoso ver o amadurecimento, o aprendizado a cada relacionamento, a cada vivencia, a cada caso.

É absurdamente difícil. Não aconselho para pessoas de corações fracos. Muito menos para casais que não tenham uma profunda confiança mútua. A tentação da mentira, da infidelidade, da obscuridade é contínua. É necessário ter um verdadeiro propósito de construir algo em conjunto para se superar a série de percausos pelo caminho.

A possessividade é antagonica ao pensamento "aberto". O ciumes em muito tem a ver com o sentimento de posse, de exclusividade. Para avançar em um relacionamento aberto, é necessário o desapego. Desapego não quer dizer desleixo. Quer dizer que aquela pessoa lhe é muito importante, é o seu amor, mas ela não te pertence. Mante-la presa em uma redoma de vidro não irá garantir que ela goste mais ou menos de você; proibir de viver experiencias diversas apenas reprime um sentimento que um dia irá extravazar... trabalhar o desapego ajuda não só no relacionamento, mas em várias partes da vida. É uma filosofia de vida. E para o "sucesso" do desapego, é necessária a confiança. Confiança, em primeiro lugar, em você mesmo, nos seus ideais, nas suas concepções. Confiança no sentimento do/a parceiro/a, na sinceridade dele/a, e na opção de vida. Precisa estar muito consciente para que depois não haja mal entendidos.

Por fim, temos clareza de que esta é uma tentativa. Pode dar errado, pode dar certo. O importante é que estamos tentando fazer o que nossos corações pedem e não simplesmente seguir, alienantemente, o ritmo da marcha rumo a “normose”. Depois teremos a certeza que ao menos tentamos viver intensamente nossas vidas.

E viva o Carpe Diem!

Luiz Zarref


Escrito por casa candanga às 14h06
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Apresentação da Carol


Minha apresentação?hum...vamos lá...

Sou a única mulher da casa, uns dizem que sou doida, outros dizem que nem tanto mas o fato é que não sou normal!Gosto muito disso!
Tenho 21 anos, estudo geologia, sou motoqueira, gosto de quebrar paradigmas, gosto de impactar, mudar o visual radicalmente, enfim... várias coisitas...
Sou mãe do pequeno Gael, companheira do Luiz, filha do Afonso, irmã consaguinea do Guilherme e do Ramon, cunhada do Guga, nora da Natalícia – minha mãezinha! e seu josé Carlos, irmã de coração do Paulinho, Alexandre, Nonato, tia do João Rudá e amig@s, ti@s, sobrinh@s, prim@s, avós, e tod@s que por ventura não foram citados mas entram tod@s nessa lista de pessoas amadas e agradeço muito de fazerem parte da minha vida!
Ultimamente venho bem apaixonada pelo meu curso, como não se apaixonar? Trabalho de campo é uma das coisas mais inspiradoras deste planeta! Vocês vão ver! Colocarei algumas fotos pra verem como é impossível não se apaixonar pelas pirambas que atravessamos para encontrar quartzos, feldspatos, micas, olivinas, plagioclásios e milhões de outros minerais nas rochas que hoje vejo com outros olhos(hehe) e mapeamos passando por aventuras mil!!!
Empolgada também com a pesquisa que estou trabalhando com meu orientador padrinho e meu mais novo estágio na CPRM. É muito bom ser apaixonada pelo que faço!
Quanto a religiosidade ando bem herege para qualquer religião possível, estou do tipo não praticante. Mas isso é fase, na verdade sou pagã – a imagem desse post é a minha mais nova “marca”, minha bruxinha sexy! Quando crescer quero ser igual a ela!hahah!
Bem, agora vou falar um pouco sobre a nossa vida em comunidade. Quando resolvemos (eu e luiz – esse homem virou minha vida do avesso!e o amo por toda a eternidade) nos juntar a comunidade, eu estava grávida de 7 meses, um bucho imenso!! por volta de 17 quilos a mais...
Meu principal motivo, no início, foi a criação do Gael, quero que ele tenha uma outra concepção de família, a nossa é muito diferente, muito mais do que uma família tradicional, é além...nesse quesito acho que fez muito bem a ele!fico muito feliz quando vejo a alegria dele ao encontrar os tios e o Joãozinho que o Gael gosta tanto...
Agora, nossos sonhos antigos de ir pra nossa terra e construir nossas casinhas com as próprias mãos estão começando a se tornar realidade e a família vai crescendo, as pessoas vão gostando e aderindo...logo seremos 30 – crescimento exponencial!hehe!
Sonho com nossa comunidade, a cada multirão vejo que está chegando mais próximo da realidade e esse espírito me anima muito!
Bom..tem muitas outras coisas ainda pra falar pra vocês!com o tempo vai ter mais posts...
Obrigada pelos acessos!
Beijos
Carol


Escrito por casa candanga às 07h34
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Quem sou eu?

 

È uma pergunta que faço junto com a humanidade: Quem sou? De onde vim? Para onde vou?

 Resposta? Não. Perguntas, muitas.

 Um grande amigo chamado Martin Hidegger disse que sou um ser “lançado no mundo”. Há momentos em que me sinto assim, na verdade, me sinto lançado na maior parte do tempo. Sinto-me como um extra terrestre que ao sair de sua órbita acidentalmente pousou no planeta terra. Será que de fato não sou um ET? He, he, he...é uma possibilidade, mas algo me diz que sou fruto dessa gente que habita esse minúsculo planeta ( em relação com o universo), chamado TERRA.

            Sou um sonhador. Isso não é um adendo em minha vida, é aquilo que me caracteriza, assim como a profunda humildade que tenho. Sonho, sonho, sonho...creio que tenho mais horas de sonhos que  urubu de vôo. Já realizei muitos, mas creio que a maior parte deles serão apenas combustível para continuar a viver intensamente essa vida que se expirará em poucos anos. Digo poucos, porque 60, 80 ou até mesmo 100 anos, são poucos para realizar tudo que vislumbro.

            Sou feliz! Apredi a ser feliz. Não espero encontrar a felicidade. A construo todos os dias. Vejo nos acontecimentos do dia a única possibilidade de ser feliz. Por mais desastroso que seja o meu dia, tenho sempre algo bom que nele aconteceu. Tenho duas opções: ficar pensando e lamentando o que não foi bom, ou ficar feliz pelo que deu certo. Se fixo no que é bom, o mau não me atinge, logo vivo bem e feliz. È meio alto ajuda, mas funciona muito bem comigo.

            Não gosto de falar de mim, pois “se dou testemunho de mim mesmo, meu testemunho não é válido”. Prefiro que outrem fale. Mas já adianto: tenho uma auto estima muito boa. Se porventura alguém falar algo que não sou ou que sou exageradamente é certo que não assumirei. Bom, para começar acho que é isso.

 

Nonato



Escrito por casa candanga às 17h46
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Viver em comunidade com esses loucos e louca é para mim um desafio prazeroso de uma vida vivida intensamente em todos os sentidos.

Me apresentando, meu no nome é Alexandre, sou o pai do lindo e alegre João Rudá, tenho deticado a vida ao trabalho comunitário/ popular, primeiro na Pastoral da Juventude, onde afirmei o Ser grande parte do que sou, e atualmente atuando no CEBI e no MST. Sou um em muitos. Sou ao mesmo tempo: amante da vida e apaixonado pela doce e irmã morte, uma pessoa de muita fé na vida, um teologo do povo, educador popular, pai solteiro, uma pessoa sagrada e profana, enfim sou uma pessoa complicada, densa e as vezes assustadora para algumas pessoas.

Em 2001 iniciamos a vida em comunidade, eu Paulinho e o companheiro Marcelo, logo no inicio ja tinhamos claro que não estavamos apenas morando junto, como uma republica, queriamos algo mais profundo, a isso chamamos de comunidade, viver assim é mais que morar no mesmo espaço, é compartilhar da grana, do carro, da camisa que vc acaba de ganhar da namorada e nem usou ainda, e vê o companheiro usando, em vez de se sentir mal se sente bem por isso, é dividir conhecimento, crises, brigas. Na verdade vivemos um matrimônio onde só não transamos (isso entre nós...), a diferênça é que não vivemos a ilusão do eterno, não estamos de certa forma preso, vivemos uma opção livre e se um dia os caminhos mudarem cada um coloca a sua mochila nas cosas e da adeus na maior ternura. Muitas coisas foram acontecendo na vida, do Valparaído II mudamos para o Varjão, o Marcelo vai embora e entra outros 3 companheiros (Jefferson, Ivaldo e depois o Daniel) depois mudamos para o Plano Piloto, mais uma vez mudamos de caminho e seguimos juntos EU, Paulinho, Jacqueline e o esperado filho que chegava prematuro de 7 meses. Em janeiro de 2005 mudamos para a candangolândia se configurando na comunidade hoje: EU, grande irmão Luiz, O companheiro Gustavo, O amado Irmão paulo, o Cantador e dançador de forró o Nonato, o pequeno e lindo Gael, meu amado filho, a deusa/bruxa Carol e o passageiro Robson (passaram em nossa casa e seguiram seus caminho a Jacqueline e o Daniel Sanches) esses são os membros moradores da gaiola das loucas, pois na verdade nossa comunidade é hoje muito maior, muitos passam, dormem, ficam em nossa casa, e segem a diante. Todos(as) que passam não ficam imunes a levar o encando, a perversão, heresia e energia que emana de nossa casa.

Por fim termino esse primeiro texto dizendo que vejo em nossa comuna, uma forma de resistencia ao individualismo criado pelo capitalismo, não posso dizer que vivemos um "socialismo", mas posso dizer que vivemos de forma socializada, sem individualismo mas respeitando a libertade e a solidão necessaria de cada um, sabemos que temos um ao outro(a) para contar, seja qual hora for e em qual situação for... com isso não quero negar que não tenhamos problemas, temos muitos, mas íntegramos também os problemas... agora estamos a caminho de aumentar a Gaiola das Loucas, comseguimos uma grande vitória, nos tornamos assentados da reforma agrária pelo MST e estamos iniciando nossa transição para a terra, nossa família vai aumentar para mais de 30 pessoas. Isso é só o começo...

Beijos

Alexandre Rangel



Escrito por casa candanga às 14h55
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O Experimentalista



Experimentação. Essa é a palavra chave da minha vida. O Experimentalista, este é o meu nome. Como diria meu bom amigo Leozinho, inspirado em nossas aventuras chocantes, “tenho uma imagem a zerar”. Meu compromisso é com a vida, não com as impressões das pessoas.

A vida é como uma explosão atômica. Desintegra cada célula do meu corpo. E eu AMO esta sensação. Adoro estar absurdamente feliz e, pouco tempo depois, completamente deprimido. O que me importa não são as conseqüências, mas eu ter vivido as causas. Segundo os textos que lia na quarta série do ensino básico, eu vivo muito mais a libertinagem do que a liberdade (embora essa jogada moralista seja uma sacanagem).

É por isso que consigo circular em tantos ambientes. Desde as carolas da igreja até os mais engajados rastafaris; do filho de fazendeiro, membro da UDR, as fileiras revolucionárias do MST; do barzinho bem transado da asa sul ao buteco pé sujo da ceilandia (ou do barzinho transado da ceilandia ao pé sujo na asa sul); do beijo na boca de homens ao sexo imprevisível em uma boate com uma mulher.

Circular, no entanto, não quer dizer se camuflar. Pelo contrário. Sou o mesmo revolucionário chocante em todos eles. Cada grupo, cada tribo, acha estranho uma coisa em mim. Uns, o engajamento sincero, apaixonado, nas causas revolucionárias; outros, a ousadia de cenas sensuais em público; alguns, pelos aditivos naturais ou não que opto por utilizar. O importante é que em nenhum ambiente passo como ser humano normal. Isso me deixa feliz. E acredito que isso me faça ter a consideração de pessoas tão diferentes.

Assustou-me a quantidade de pessoas que visitaram os primeiros dias do nosso blog. Assustou-me mais ainda as pessoas que enviaram comentários, seja por aqui ou por e-mail. Confesso que senti um fio de arrependimento por ser tão explicito e intenso. Mas as chamas do Áries que queima incessantemente o meu ser a cada dia consumiu esse fio. Se não sentimos esse fio, é porque somos comuns, cópias, clones uns dos outros. Mas se sucumbimos a ele, somos covardes. Não nasci para ser uma bactéria: “nascer, crescer, reproduzir e morrer”. Vim ao mundo para impactar. Dar cabeçadas, como um bom caprino, contra os muros do moralismo, da inércia, do continuísmo.

Não sou, no entanto, um baluarte da revolução e do inusitado. Tenho meu lado senso comum também. Tenho meu lado pacato. Tenho meus medos, minhas inseguranças, minhas fragilidades, meus recuos. Não sou vanguarda. Sou apenas a vida. Na sua verdadeira essência dialética. Uma amiga uma vez, tentando me definir para uma garota a qual revirei a vida, disse: “Fulana, você pensa as coisas, planeja, traça o objetivo e segue uma linha reta, a mais rápida e sem enfrentamentos, até este objetivo; o Luiz traça o objetivo e vai, só que lá pelas tantas vira pro lado, anda em círculos, volta para trás, passa do ponto, volta de novo...”

Sou um torpedo voando sobre duas rodas, rumo ao abismo profundo dos sentimentos. Não me importa se a queda será dolorosa. Me importa que meu ser sentiu a felicidade, a excitação, a emoção em seu mais alto grau. Quanto mais alto o gigante, maior a queda. Quanto mais intensa a emoção, mais profunda a tristeza. Será tão dual assim? Até agora tem sido.

Obrigado pelas visitas!

Luiz Zarref


Escrito por casa candanga às 13h48
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De volta as aulas...



(bem, enquanto ficamos no ansioso aguardo da apresentação das outras pessoas lá de casa, vou postando novas mensagens...)

Hoje pela manhã fui deixar o Gael, nosso neném, na creche. Depois de mais de uma semana em casa recuperando-se de uma pneumonia (puxou o tio!), ele enfim volta a aula. Foi ótimo ver a alegria dele. Afinal, uma semana em casa praticamente sem sair deve ser bem chato. Me lembro, vagamente, das minhas voltas as aulas após as vezes que fiquei internado, também com pneumonia. Era bom sentir de novo o gosto áspero das carteiras e cadernos nas pontas dos dedos... melhor ainda ficar sem ar, beber o fôlego, não mais por uma crise de asma, mas pela correria de brincar nos parques ou de jogar bola.

Ontem, de alguma forma, vivi uma volta as aulas. Foi ótimo sentir de novo os ventos frescos transformados em vendavais intelectuais que a tudo questiona. Após duas sem anas, voltei a minha sempre boa aula de Antropologia e Direitos Humanos, com a mais boa ainda professora Rita Segato. Eu havia faltado algumas aulas por compromissos inadiáveis com a campanha e na semana passada a própria Rita se ausentou das aulas, viajando para o congresso da Rede Latino-Americ ana de Antropologia Jurídica.

Com seu rosto gordinho e os cabelos esvoaçados de quem nunca se cansa de pensar e sonhar, Rita nos trouxa boas notícias da libertação dos povos afro-ameríndios. Ao que parece, se confirma o movimento de insurgência dos povos indígenas, evidentes no processo constitucional que a Bolívia vive hoje. Será que teremos um Estado étnico? Uma constituição étnica? É, novamente está grávida nossa América Latina, grávida de Sonho e Esperança. Hum, lembranças de Pedro Casaldáliga...

Esse tem sido um semestre de aridez intelectual. Fazendo poucas matérias (nenhuma delas sérias), as aulas nas terças e quintas de noite tem salvado a confusa e criativa cabeça desse projeto de antropólogo que vos escreve.. heheh... Estamos lendo um livro fantástico, de um autor brilhante (e difícil!). O livro é Homo Sacer – O poder soberano e a vida nua, do Giorgio Agamben. Pretendo escrever num próximo post sobre o livro, o autor, e algumas idéias corelacionadas.

Mas talvez o que mais tenha me alegrado na volta as aulas de ontem, foi a conversa que tivemos, brevemente, ao final da aula. Éramos poucos, eu, Juli ana (a sempre linda e antiga amiga Jû), o menino que nunca lembro o nome, Sarah e Rita. Me senti acolhido entre pessoas que compartilham um profundo incomodo com as mesmas situações e que tentam, no olhar, expressar a indignação e confiança de que merecemos, como pessoas, coisas melhores. Conversamos sobre os fatos recém acontecidos na UnB, em especial na Ciência Política e na Sociologia, quando alguns estudantes denunciaram professores por atos explícitos de racismo e preconceito. Juli ana nos contava do seu incomodo de como a maioria dos estudantes conseguem ser indiferentes ao racismo e ao preconceito, chegando por vezes, no limite, a serem cúmplices, vinculando piadinhas machistas e racistas. Contava também de como, nas aulas de Antropologia do Gênero (que ela está fazendo esse semestre), algumas pessoas conseguem estudar o tema Gênero, as vezes até escreverem bons trabalhos, sem isso significar nenhuma mudança de atitude, de comportamento. Chegamos ao absurdo de pessoas estudarem Gênero e continuarem, dia-a-dia, reproduzindo e protagonizando histórias de dominação e sexismo, sem isso causar nenhum incômodo ou contradição.

Entrei na conversa e concordei plenamente com ela e com as demais, reafirmando meu comum desconforto com a nossa geração. Uma geração nascida já na redemocratização, mas que hoje é composta por uma maioria de jovens (especialmente as mulheres!) que são coadjuvantes de suas próprias vidas.

Vou dedicar, também num futuro post, maior espaço para essa conversa. Ando angustiado com essas coisas. Acho que meus recentes (não) relacionamentos (amores, amantes, ficadas e trepadas) deixaram marcas e feridas que não querem cicatrizar. E é bom que assim seja, não quero silenciar diante da indiferença e da inexpressão de várias pessoas (novamente, especialmente mulheres!) que, como ironicamente disse meu irmão Luiz: pegaram o ônibus da vida mas não sabem em qual parada vão descer...

Gustavo


Escrito por casa candanga às 09h52
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Apresentação do Gustavo

Se ruiram todas as utopias

E a ferocidade reduziu

A geografia dos homens

No exato limite da pele

(Pedro Tierra – Novos Materiais)

 

Talvez minha vida possa ser entendida como uma recusa e resistência aos decretos descrentes e racionalistas que querem reduzir as pessoas à fria cápsula de sua pele ou ao instante de seu presente. Resisto me entregando e precisando da pela dos outros, do corpo dos outros, e da história dos outros, da nossa história enquanto povo outro, povo afro-indo-latino.

Uma resistência primeira biológica. Filho de 13 pneumonias e vários meses de internações (valeu pelas noites em claro e os cuidados mamãe, Pop e Sônia!), desde neném sobrevivo dependendo de equipamentos, medicamentos e cuidados intensos. A fragilidade do meu corpo sempre precisou da fortaleza dos cuidados dos outros e das tecnologias biomédicas. Ah, por falar em biologia, também sou manco, graças a uma perna menor, o que faz com que as pessoas injustamente (heheh) me chamem de desastrado.

Uma resistência política. Com sonhos maiores que meu próprio corpo e mais longos do que as noites de sono, fiz de minha transpiração o suor dos que acreditam e constroem um mundo melhor. Por convicção política, sou de esquerda, sou socialista, sou Sem Terra, sou feminista. Quis compartilhar como minha a geografia e história dos povos oprimidos, das pessoas que organizadas em fileiras construíram as esquerdas e das mulheres e homens que ousaram queimar os sutiens e os entravos da sexualidade e do domínio do corpo, inaugurando o que para mim é o mais importante movimento social do nosso século: o movimento feminista.

Uma resistência ética. Porque acredito que como humanos, somos seres éticos em potencial. Levamos jeito para a ética, combina com a gente. E nossa tradição ética nos ensina que nos tornamos humanos na medida em que re-conhecemos e nos relacionamos com os outros. O outro é a oportunidade, sempre posta, de encontro conosco mesmo e com a alteridade. A ética me convida a sempre ir além de minha pele, sentindo em meu corpo e em meu coração as dores, as alegrias e os desejos do relacionamento.

Por hora, termino anunciando e desejando continuar em minha resistência poética. As palavras são para mim mais do que ferramentas de comunicação, elas são produtoras de realidade, elas me convencem. A palavra e o jogo de palavras são minha incansável tentativa de sentir-falando, de captar em arte e rítmo a intensidade da vida. E, nesses ultimos tempos que têm sido para mim de decepções e algumas frustações, a poesia tem me ajudado a dizer que as pessoas (incluindo eu) são mais do que parecem ser, podem mais... num mundo de relações frias e supercificias, as palavras emprestam rítimo e intensidade as relações, aumentando o que por vezes é pequeno, embelezando o que é opaco. O exagero e o romantismo talvez sejam hoje sinais de esperança, pelo menos da minha esperança.

Nos próximos posts falarei mais de que faço, e de como faço... fazer um Blog de nossa casa (Casa Candanga ou para os íntimos Gaiola das Loucas) é a expressão escrita das resistências, encantos e desavneios que vivemos juntos, enquanto família, comunidade e pessoas apaixonadas umas pelas outras.



Escrito por casa candanga às 14h23
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Apresentação do Luiz


The Wall - Pink Floyd

A primeira vez que vi esta cena, não sabia de quem era. Nunca conheci muito de músicas internacionais. O que a fez importante para mim, tão importante que abro este blog com ela, é a minha reflexão a partir desta imagem. Martelos, muitos martelos marchando. Rapidamente associei a milhares, milhões, bilhões de pessoas, marchando. Não por motivos militares. Marchavam, iguais, no mesmo compasso, buscando nada mais do que a NORMALIDADE. Logo pensei que, se eu fosse um martelo, estaria correndo na contra-mão...
Desculpem a indelicadeza. Apresento-lhes EU. Segundo minha mãe, me chamo Luiz Henrique Gomes de Moura. Era para me chamar Gustavo, mas como primogênito, meu pai insistiu em colocar-me o seu próprio nome (Luiz). Para umas pessoas, sou Luiz, para outras Luiz Henrique, para umas do passado Luizinho, para outras Zarref, e para outras tantas Chapado. Recentemente também me conhecem por Night Rider.
Tenho 23 anos. Sou ariano. Sou filho de Oxalá e Yansã. Sou Floresteiro (Engenheiro Florestal). Sou socialista (quero conhecer mais do anarquismo, na verdade).
Sou apaixonado por música, embora cante muito mal e não toque nada além de uma boa punheta. Por falar em punheta, sou apaixonado por sexo também. Não necessariamente em faze-lo, mas em tudo que a ele esteja relacionado. Sou completamente apaixonado por andar de moto. Gosto de aventuras, de adrenalina correndo velozmente por cada capilar do meu corpo. Gosto da pupila dilatada graças a ingredientes vegetais ancestrais. Gosto de experimentações, em todos os sentidos e com todas as coisas. Gosto da preta e da branca, da líquida e da sólida, da leve e da pesada. Vocês podem me achar em casa jogando PlayStation 2, em um assentamento, minha futura casa, trabalhando na terra, no escritorio, trabalhando, na noite, sobrio ou lokaço, em uma manifestação organizada como as do MST ou anarquicas como as do MPL. Talvez me ache em algum banco, vomitando, ou no parque da cidade, andando a esmo, as 04 da manha, ou na esplanada, bebendo e fumando... mas isso é mais raro.
Tenho um filho pelo qual sou apaixonado, por mais que as vezes não expresse muito isso de maneiras convencionais. Ele se chama Gael (Deus Resgatador em hebráico, nome escolhido por uma pessoa muito importante na minha vida, um grande amigo). Este filho é fruto de uma paixão impressionantemente forte e avassaladora, a qual virou minha vida de cabeça para baixo várias vezes. O nome da minha musa é Caroline, mais conhecida como Carol. Ela em breve vai se apresentar também!
Sou irmão consaguíneo do Gustavo, um brilhante educador popular e futuro marco teórico da antropologia. Sou irmão de coração do Alexandre, mais uma pessoa brilhante, astuto administrador, biblista, educador popular. Sou tio do João Rudá, filho do Ale e da Jaqueline, um vibrante raio de felicidade – rebelde, é verdade – que ilumina nossa casa. Sou também irmão do Paulinho, brilhante (ops, isto está se repetindo) teólogo, biblista, educador popular. Sou ainda irmão do brilhante motociclista (hahhaha) Nonato, futuro filósofo.
Pois é... essas pessoas ai acima são muito especiais. Carol, Gael, Guga, Ale, João Rudá, Paulinho e Nonato. Falei só da vida profissional da maioria. Acho que cada um e uma pode falar de si mesmo. O que me importa dizer é que somos martelos, todos nós. Porém, por opção de vida, decidimos andar na contra-mão. Ou na perpendicular. Ou na transversal. Ou em círculos. Enfim, decidimos ANDAR. Não marchamos. A não ser que queiramos, nas fileiras revolucionárias que nos conclamarem.
Essas pessoas são os principais ingredientes da famosa CASA CANDANGA. Somos uma comunidade, uma vida em coletivo. Dividimos finanças, crises, a vida... não, não é um conto de fadas. Longe disso, é real. Tão difícil quanto o real.
Ao longo deste blog vamos contar nossas reflexões sobre temas variados. Viajamos muito, vemos muitas pessoas, estudamos muito sobre muitas coisas, aprendemos muito com muitas experiências. Vamos expressar essas vivencias por aqui, para quem quiser ler, opinar, ignorar... Bem vindos e Bem vindas a Gaiola das Loucas.
Luiz


Escrito por casa candanga às 17h35
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